29 de jul. de 2010

Desamores


Como se estivéssemos largado a torneira aberta. Por dias. Semanas.Ouvindo a água pingando.Batendo na louça, dentro da pia; no ralo, durante a madrugada. Mas como se tivéssemos tido preguiça de nos levantar da cama.De deixar o quente das cobertas. tirar a cabeça do amassado do travesseiro.De calçar os chinelos e andar até a cozinha para dar mais meio giro.Apenas metade de uma outra volta que acabaria com o ruído. Com o gasto de água.Com o barulho dos pingos batendo na louça. No canto do prato. Na ponta da faca.No ralo, de madrugada. Vazamento esvaziando o reservatório por descaso.Litros e litros pelo cano por nossa culpa. Não, não foi de repente.Não foi surpresa. Nosso amor secou aos poucos, gota a gota.E nós ouvimos todos os pingos.


Eduardo Baszczy